Selo Beef on Dairy: como Angus x Holandês/Jersey aumenta a renda na fazenda leiteira
Usar genética de corte em vacas leiteiras deixou de ser “alternativa improvisada” e passou a ser uma estratégia planejada para gerar bezerros mais valorizados. No Brasil, o lançamento do selo Beef on Dairy pela Associação Brasileira de Angus, com participação técnico-científica da Embrapa na construção de critérios, ajuda a colocar padrão e transparência em uma prática que já vinha acontecendo em campo. Na prática, o selo organiza um ponto historicamente desafiador para muitas fazendas leiteiras: a baixa valorização de parte dos bezerros (especialmente machos e fêmeas fora do plano de reposição). Com critérios definidos para seleção de touros Angus em vacas Holandesas e Jersey, a proposta é aumentar a previsibilidade do resultado e aproximar o leite de programas de carne premium.
O que é Beef on Dairy e por que essa estratégia ganhou força?
Beef on Dairy é o nome dado à estratégia de usar touros de corte (muito frequentemente Angus) em vacas leiteiras para gerar animais meio-sangue com melhor potencial para carne do que o bezerro leiteiro tradicional. Essa estratégia ganhou tração em mercados como EUA e Europa por três razões bem objetivas:
1 - Agregar valor aos bezerros excedentes (principalmente machos e fêmeas fora do plano de reposição)
2 - Produzir um animal mais adequado ao que a cadeia da carne busca (musculatura, crescimento, rendimento e acabamento).
3 - Padronizar resultados com critérios de escolha de touros que façam sentido para vacas leiteiras, reduzindo riscos no parto e melhorando previsibilidade.
O que exatamente o selo Beef on Dairy certifica no Brasil?
Apesar de muitos resumirem como “um selo para propriedades”, o desenho do programa é mais direto: o selo cria parâmetros técnicos e índices genéticos para identificar touros Angus mais adequados para uso em vacas Holandesas e Jersey, e isso dá segurança para centrais de sêmen, criadores e produtores na hora de comprar genética. Segundo as informações divulgadas, a Embrapa Pecuária Sul participou do desenvolvimento dos critérios técnicos e dos índices genéticos que apontam os reprodutores mais indicados para esse cruzamento, reforçando o “lastro científico” do selo. Outro ponto prático: os reprodutores certificados podem ser consultados publicamente no Sistema Origen (ANC), o que aumenta transparência e facilita o acesso à lista de touros dentro do padrão.
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Por que isso é relevante para o produtor de leite?
Quando o cruzamento é bem planejado e o bezerro tem destino organizado, o Beef on Dairy tende a entregar quatro ganhos:
1 - Valorização do bezerro: Com um produto mais padronizado e com melhor potencial de desempenho e carcaça, a comercialização tende a ficar menos “no improviso”.
2 - Redução de “desperdício genético”: usar sêmen de corte nas vacas que não serão reposição, sem inflar o número de novilhas além do necessário.
3 - Mais previsibilidade: o selo existe justamente para reduzir a subjetividade e trazer critérios de seleção voltados ao uso em vacas leiteiras.
4 - Conexão com carne premium: para quem consegue encaixar os bezerros em programas, parcerias ou cadeias que remuneram padrão, a estratégia pode abrir portas para uma receita mais previsível, em vez de depender apenas de oportunidades pontuais.
E para o consumidor e a indústria da carne, a lógica é simples: mais oferta de um produto padronizado e com critérios claros por trás, algo que tende a fortalecer a confiança em carne premium.
Conclusão
O grande mérito do selo Beef on Dairy é trazer padrão e rastreabilidade técnica para uma prática que, sem critério, pode virar só “cruzamento por oportunidade”. Ao aliar a certificação a índices e critérios (com participação da Embrapa e operacionalização via Promebo/ANC), o mercado ganha linguagem comum: produtor, central de sêmen, recriador e frigorífico passam a falar a mesma língua.
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Esse artigo foi escrito por: Lara Santos Balbino