Apesar de assinado em 17 de janeiro de 2026, o Acordo de Associação e o Acordo Interino de Comércio entre Mercosul e União Europeia está com a entrada e ratificação mais distantes após um novo capítulo político-jurídico dentro da União Europeia. O que está em jogo agora não é uma volta à estaca zero, mas o caminho político e jurídico dentro da União Europeia até o acordo poder produzir efeitos reais.
O que foi adiado de verdade: o calendário para o acordo valer.
A assinatura aconteceu. O “adiamento”, na prática, é a combinação de duas coisas:
Ratificação mais lenta: para o acordo entrar plenamente em vigor, ele precisa passar por etapas internas na UE. E um novo passo foi colocado no meio do caminho: em 16 de janeiro de 2026, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução pedindo que o Tribunal de Justiça da União Europeia avalie a conformidade do acordo com os tratados europeus. Esse tipo de parecer costuma alongar o cronograma e pode levar um bom tempo, a depender da tramitação.
Debate sobre “vigência provisória”: paralelamente, cresceu a discussão sobre aplicar partes do acordo de forma provisória, antes da ratificação completa. A Comissão Europeia sinaliza que considera essa possibilidade. Isso pode antecipar alguns efeitos, mas não elimina o risco de atraso ou contestação na etapa final.
Por que a Europa desacelerou agora?
Disputa política interna e pressão do campo europeu: Em vários países, agricultores e organizações do setor agropecuário pressionam contra o acordo por medo de concorrência e de perda de renda. Isso contamina o debate político e aumenta a resistência.
Questionamentos ambientais e de padrões: O tema ambiental aparece como um dos pontos mais sensíveis: desde preocupações com desmatamento e emissões até a ideia de “competição desigual” por diferenças regulatórias e de fiscalização.
Segurança jurídica (e redução de risco futuro): O pedido de parecer ao Tribunal de Justiça funciona como um “filtro”: tenta reduzir o risco de o acordo ser contestado depois, já em execução, e reorganiza a estratégia de aprovação dentro das regras europeias.
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Conclusão
O acordo foi assinado, mas o que o mercado sente agora é um adiamento da efetivação: a política europeia colocou o texto sob escrutínio jurídico, e isso pode esticar o cronograma. Para o lácteo brasileiro, a leitura mais prudente é: pouco muda no curto prazo no risco de importação em volume, mas o médio prazo pode abrir espaço para quem estiver pronto para competir em valor agregado + padrão + narrativa.
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